Hérnia de Disco: Entenda a Condição, os Sintomas e as Possibilidades de Tratamento
- ronaldoparpinelli1
- 15 de jan.
- 3 min de leitura

A hérnia de disco é uma das principais causas de dor na coluna vertebral e, ao mesmo tempo, uma das condições mais cercadas de dúvidas e receios por parte dos pacientes. Muitas pessoas associam o diagnóstico automaticamente à cirurgia ou a limitações permanentes, porém a realidade clínica mostra que, na maioria dos casos, é possível controlar os sintomas e recuperar a qualidade de vida com tratamento adequado e acompanhamento profissional.
A coluna é formada por vértebras interligadas por discos intervertebrais, estruturas que funcionam como amortecedores naturais, absorvendo impactos e permitindo mobilidade. Esses discos possuem um núcleo gelatinoso interno, chamado núcleo pulposo, e uma camada externa mais resistente, o anel fibroso. A hérnia de disco ocorre quando há deslocamento ou extravasamento desse núcleo, podendo causar compressão das raízes nervosas adjacentes. Esse processo não acontece de forma súbita na maioria das vezes, mas sim como resultado de sobrecargas repetitivas e desgaste progressivo ao longo dos anos.
É importante destacar que nem toda alteração observada em exames de imagem corresponde a uma hérnia de disco propriamente dita. Alterações como abaulamentos e protrusões discais são frequentes, especialmente em pessoas que trabalham muitas horas por dia ou mantêm posturas inadequadas, e nem sempre são responsáveis pela dor. Muitos pacientes apresentam alterações nos exames e não sentem sintomas, enquanto outros sentem dor intensa mesmo sem achados significativos na ressonância magnética, reforçando a importância da avaliação clínica associada aos exames.
Entre os principais fatores relacionados ao desenvolvimento da hérnia de disco estão a má postura, a sobrecarga mecânica contínua, longos períodos sentado ou em pé, movimentos repetitivos, sedentarismo, fraqueza da musculatura estabilizadora da coluna, excesso de peso e níveis elevados de estresse. Rotinas de trabalho extensas, muitas vezes superiores a dez ou doze horas diárias, contribuem de forma significativa para o aparecimento e manutenção das dores lombares e cervicais, mesmo na ausência de lesões estruturais graves.
Os sintomas variam conforme a região da coluna acometida e o grau de compressão nervosa. Na hérnia de disco lombar, é comum a presença de dor na região lombar com irradiação para glúteo, coxa, perna ou panturrilha, quadro conhecido como ciatalgia, podendo estar associado a formigamento, dormência, sensação de queimação ou choque. Já na hérnia de disco cervical, os sintomas costumam incluir dor no pescoço, irradiação para ombros e braços, dormência nas mãos, rigidez cervical e, em alguns casos, cefaleia associada. Sinais como perda de força progressiva ou alterações urinárias e intestinais devem ser sempre avaliados com urgência.
O diagnóstico adequado da hérnia de disco não deve se basear exclusivamente em exames de imagem. A avaliação clínica detalhada, a análise do padrão da dor, os testes neurológicos e funcionais são fundamentais para correlacionar os achados radiológicos com os sintomas apresentados pelo paciente. A ressonância magnética é considerada o exame de referência, porém deve sempre ser interpretada dentro do contexto clínico individual.
Ao contrário do que muitos acreditam, a cirurgia é a exceção e não a regra no tratamento da hérnia de disco. Estudos e a prática clínica demonstram que mais de 80% dos casos apresentam melhora significativa com tratamento conservador. A fisioterapia, as terapias manuais, os exercícios terapêuticos, a liberação miofascial, a acupuntura e os recursos analgésicos desempenham papel fundamental no controle da dor, na redução da inflamação e na recuperação da função. O fortalecimento muscular, especialmente do core, e a reeducação postural são pilares essenciais para evitar recidivas.
As terapias integrativas têm ganhado destaque por abordarem o paciente de forma global. A acupuntura, por exemplo, auxilia no alívio da dor, melhora a circulação local, reduz tensões musculares e contribui para o equilíbrio do sistema nervoso, sendo uma excelente aliada no tratamento da dor crônica associada à hérnia de disco. Quando integrada à fisioterapia e às terapias manuais, os resultados costumam ser mais consistentes e duradouros.
Por fim, é fundamental compreender que a hérnia de disco não define o limite do corpo. Com orientação adequada, acompanhamento profissional e mudanças de hábitos, é possível retomar as atividades diárias com segurança e qualidade de vida. O cuidado com a coluna deve ser contínuo, preventivo e individualizado, respeitando as necessidades e particularidades de cada paciente.
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