A História da Fisioterapia: Da Antiguidade à Profissão Essencial da Saúde Moderna
- ronaldoparpinelli1
- 7 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
A fisioterapia, hoje reconhecida como uma das principais profissões da saúde, tem uma história muito mais antiga do que a maioria imagina. Suas raízes atravessam civilizações, guerras, epidemias e transformações sociais profundas. Entender essa trajetória ajuda a compreender por que a fisioterapia se tornou indispensável na prevenção, promoção e reabilitação da saúde humana.
1. Onde tudo começou: práticas antigas de cura pelo movimento
Os primeiros registros de algo semelhante à fisioterapia remontam a 5.000 anos atrás. Civilizações antigas já percebiam que movimento, massagem e calor tinham impacto direto no alívio da dor e na recuperação de lesões.
• China e Índia antigas: textos clássicos como o Huangdi Nei Jing descrevem massagens, exercícios respiratórios e manipulações corporais.
• Egito Antigo: papiros médicos mostram técnicas de massagem para tratar dores e melhorar mobilidade.
• Grécia Antiga: Hipócrates (considerado o pai da medicina) já prescrevia fricções, tração, exercícios e hidroterapia para reabilitação.
Aqui surgem os primeiros princípios que hoje reconhecemos como cinesioterapia e terapia manual.
2. Idade Média: o avanço desacelera, mas não para
Durante a Idade Média, a prática médica europeia passou por fases de retrocesso, mas conhecimentos do Oriente continuaram evoluindo. Monges e curandeiros praticavam massagens e exercícios simples, principalmente para cuidar de viajantes e soldados feridos.
Ao mesmo tempo, a medicina árabe preservava e ampliava conceitos greco-romanos, influenciando o desenvolvimento posterior da ciência do movimento.
3. Renascimento e revolução científica: o corpo humano em foco
Com o Renascimento e os avanços da anatomia e fisiologia, a ciência passa a olhar o movimento humano com mais precisão. O estudo dos músculos, ossos e articulações ganha força, abrindo espaço para técnicas cada vez mais sistematizadas.
Surge também o interesse pela reabilitação após cirurgias e doenças, principalmente com o aumento da longevidade e o desenvolvimento de hospitais modernos.
4. Século XIX: nascimento formal da fisioterapia
O século XIX é frequentemente considerado o período em que a fisioterapia “nasce” como ciência aplicada. Alguns marcos importantes:
• Per Henrik Ling, na Suécia, cria o Sistema Sueco de Ginástica Médica, base para os exercícios terapêuticos modernos.
• Em vários países europeus surgem centros para reabilitação por movimento, massoterapia e mecanoterapia.
• O interesse pela biomecânica e cinesiologia cresce junto com a industrialização.
Nesse período, a fisioterapia começa a se diferenciar de práticas empíricas e ganha caráter científico.
5. Guerras Mundiais: o salto para a profissão moderna
A Primeira e a Segunda Guerra Mundial foram decisivas para consolidar a fisioterapia como profissão essencial. Milhares de soldados voltaram com fraturas, amputações e lesões neurológicas que exigiam reabilitação prolongada. As técnicas precisaram ser padronizadas, testadas e replicadas em larga escala.
Foi nesse contexto que:
• Surgiram escolas formais de fisioterapia.
• As mulheres passaram a atuar de forma marcante na reabilitação.
• Hospitais criaram setores exclusivos para tratamento físico.
A reabilitação ganha status de área vital da medicina e da saúde pública.
6. Chegada e desenvolvimento da fisioterapia no Brasil
No Brasil, a fisioterapia se desenvolveu oficialmente a partir da década de 1950:
• 1951: criam-se os primeiros cursos técnicos no Rio de Janeiro e São Paulo, voltados principalmente para reabilitação pós-pólio e pós-guerra.
• 1969: a fisioterapia é reconhecida como profissão regulamentada no Brasil, por meio do Decreto-Lei nº 938.
• Décadas seguintes: expansão das universidades, surgimento dos conselhos regionais e federal (COFFITO/CREFFITO) e definição de áreas de especialização.
Hoje, o Brasil é referência em diversas áreas, como terapia manual, fisioterapia respiratória, hospitalar e esportiva.
7. A fisioterapia na atualidade: ciência, tecnologia e humanização
A profissão evoluiu para além da reabilitação, abrangendo:
• Prevenção de lesões
• Promoção de saúde e qualidade de vida
• Atuação hospitalar e UTI
• Fisioterapia esportiva de alto rendimento
• Neuroreabilitação com tecnologias avançadas
• Terapias integrativas baseadas em evidência
A pandemia de COVID-19 reforçou ainda mais a importância da fisioterapia respiratória e hospitalar, colocando profissionais na linha de frente e mostrando ao mundo o impacto do movimento, da função e da humanização no processo de cura.
Conclusão: uma profissão construída pela ciência e pelo cuidado
Da massagem empírica dos povos antigos às técnicas modernas guiadas por evidências, a história da fisioterapia mostra uma trajetória de evolução constante. Mais do que tratar lesões, o fisioterapeuta se tornou um agente essencial na recuperação da autonomia, da funcionalidade e da qualidade de vida.
É uma profissão movida por ciência, mas também por cuidado, empatia e pela compreensão de que o movimento é uma das formas mais profundas de saúde.
Por Ronaldo Parpinelli
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